A peça "A Moça e o Bode" de Walden Luiz, encenada pelo grupo Resistência de Teatro, sob a direção de Elane Fonseca, nos apresenta uma divertidíssima experiência com o texto teatral encenado por atores Granjenses.
Uma peça do ano de 2003, que nos remonta a cultura interiorana do Ceará, com um forte apelo cômico, sobre as conversas de calçadas, portas e janelas entre comadres e vizinhas, onde a vida de todos é assunto trivial e recorrente e, geralmente, do interesse coletivo.
Elane Fonseca, em sua direção, mistura elementos da cultura popular, e mexe com o imaginário criativo do espectador, além de imprimir nossa identidade cultural e nossas impressões particulares, ao se apropriar e identificar as inúmeras possibilidades de leituras no consciente e subconsciente do texto, despertando em nós imaginação e criatividade, além de fazer uma leitura sutil da profundidade das personagens e suas personalidades, como por exemplo a figura do bode, personagem folclórico do imaginário popular, no entanto em nada fere a qualidade do texto teatral de Walden, esse grande dramaturgo cearense.
As personagens que compõem essa divertida trama dão esse perfil cômico à encenação, principalmente com o quadro inicial, onde os diálogos de Altina(o) e Lindalva, interpretados pelos atores Kelton Sousa e Navegantes Alves, respectivamente, dão uma prévia do que será todo o desenrolar cênico, e despertam risos e questionamentos no público, que se depara com uma cena corriqueira do falatório comum típico de uma cidade pequena do interior, onde a vida das pessoas sempre acaba virando assunto nas rodas de conversas.
Lindalva é uma mulher curiosa e fofoqueira que inventa, aumenta e espalha qualquer boato que ouve e que interpreta a informação que recebe da forma que lhe é mais conveniente, tornando o cenário comum de uma conversa de comadres em uma trama de "disse não disse".
Que tira conclusões precipitadas, principalmente quando recebe de Altina(o) a informação de que "anda por aí um bode que fala", que obra verdadeiros milagres e que atrai mais fiéis para curas milagrosas do que o próprio padre os atrai a igreja na missa em dia de domingo, concluindo perplexa que é mesmo o fim do mundo "um sacerdote adorar o diabo" e espalhando, ainda, que o bode do Mateus, que supostamente é o dono do bode,"não é uma conversa de se acreditar nela."
Mateus, o dono do bode, interpretado por Léo Prudêncio, é um personagem "espertalhão" e cheio de "enroladas" que tem "um bode adivinhatório, milgrareio e que fala", no entanto, alega o bode ter feito votos de pobreza e castidade e ser franciscano. Mateus, personagem caracterizado por sua "vagabundice", "malandrice" e "sem- vergonhice" é um sedutor que envolve a Moça, Maria do Socorro, interpretada por Marina Lira, em suas "gabolices" e conversa mole.
Maria do Socorro, por sua vez, é aquela jovem construída no fingimento de boa moça, para enganar a própria mãe, Dona Santinha, interpretada por Sarah Fonseca, e se desviar dos comentários maliciosos de Altina (o) e Lindalva, duas línguas tiranas.
Maria do Socorro com seu falsídio perfil de moça "virgem e pura"envolveu-se com o "descarado do Mateus", caindo nas suas "gabolices" e agora precisa do bode, personagem vivido por Lucas da Silva, para desmentir a história de uma suposta gravidez mal contada.
Dona Santinha, preocupada com a saúde e a imagem da filha, faz um apelo a Mateus e pede intervenção do bode milagreiro, uma vez que Maria do Socorro apareceu desregrada, e Lindalva, "fuxiqueira, novidadeira e inventadeira de causos", anda espalhando pela cidade inteira que a moça está grávida, e por isso, precisa que o bode adivinhe e diga para todo mundo se sua filha está ou não grávida que é para calar a boca da gentalha.
"O bode do Mateus é Santo" , embora nada do Mateus possa ser santo. Se diz mais competente que o Instituto Médico Legal e precisará dar uma "cheiradinha" embaixo do vestido da moça para atestar se essa história de gravidez é verdadeira ou não, e para só então, emitir o laudo.
O enredo vai prendendo o espectador no cenário de curiosidade e ansiedade em descobrir o desfecho desse espetáculo do inventário popular.
E para não deixar de fora desse cenário irreverente do teatro de comédia de Walden, contamos com a presença do prefeito da cidade, interpretado por Witoriojacsson, uma figura coronelística e ilustre que nos remete a um passado não tão distante, onde era possível observar prefeitos que eram verdadeiros coronéis nas cidades interioranas do nordeste brasileiro.
O prefeito por sua vez, demasiado e extravasado de demagogias, autoridade e mercenarismo, convence Mateus em ter sociedade no bode, mediante ameaça de prisão e acordos de propinas.
Lindalva, Altina(o), Santinha, Mateus, o Prefeito, a moça Maria do Socorro e o Bode, personagens estes que dão título ao texto teatral de Walden e que compõem esse divertido e curioso caso de uma "sem-vergonhice mal contada".
E o final dessa cômica narrativa é possível ser vista em qualquer das exibições da peça que o grupo Resistência de Teatro abre cartaz.
Bom espetáculo e boas risadas!!!
As personagens que compõem essa divertida trama dão esse perfil cômico à encenação, principalmente com o quadro inicial, onde os diálogos de Altina(o) e Lindalva, interpretados pelos atores Kelton Sousa e Navegantes Alves, respectivamente, dão uma prévia do que será todo o desenrolar cênico, e despertam risos e questionamentos no público, que se depara com uma cena corriqueira do falatório comum típico de uma cidade pequena do interior, onde a vida das pessoas sempre acaba virando assunto nas rodas de conversas.
Lindalva é uma mulher curiosa e fofoqueira que inventa, aumenta e espalha qualquer boato que ouve e que interpreta a informação que recebe da forma que lhe é mais conveniente, tornando o cenário comum de uma conversa de comadres em uma trama de "disse não disse".
Que tira conclusões precipitadas, principalmente quando recebe de Altina(o) a informação de que "anda por aí um bode que fala", que obra verdadeiros milagres e que atrai mais fiéis para curas milagrosas do que o próprio padre os atrai a igreja na missa em dia de domingo, concluindo perplexa que é mesmo o fim do mundo "um sacerdote adorar o diabo" e espalhando, ainda, que o bode do Mateus, que supostamente é o dono do bode,"não é uma conversa de se acreditar nela."
Mateus, o dono do bode, interpretado por Léo Prudêncio, é um personagem "espertalhão" e cheio de "enroladas" que tem "um bode adivinhatório, milgrareio e que fala", no entanto, alega o bode ter feito votos de pobreza e castidade e ser franciscano. Mateus, personagem caracterizado por sua "vagabundice", "malandrice" e "sem- vergonhice" é um sedutor que envolve a Moça, Maria do Socorro, interpretada por Marina Lira, em suas "gabolices" e conversa mole.
Maria do Socorro, por sua vez, é aquela jovem construída no fingimento de boa moça, para enganar a própria mãe, Dona Santinha, interpretada por Sarah Fonseca, e se desviar dos comentários maliciosos de Altina (o) e Lindalva, duas línguas tiranas.
Maria do Socorro com seu falsídio perfil de moça "virgem e pura"envolveu-se com o "descarado do Mateus", caindo nas suas "gabolices" e agora precisa do bode, personagem vivido por Lucas da Silva, para desmentir a história de uma suposta gravidez mal contada.
Dona Santinha, preocupada com a saúde e a imagem da filha, faz um apelo a Mateus e pede intervenção do bode milagreiro, uma vez que Maria do Socorro apareceu desregrada, e Lindalva, "fuxiqueira, novidadeira e inventadeira de causos", anda espalhando pela cidade inteira que a moça está grávida, e por isso, precisa que o bode adivinhe e diga para todo mundo se sua filha está ou não grávida que é para calar a boca da gentalha.
"O bode do Mateus é Santo" , embora nada do Mateus possa ser santo. Se diz mais competente que o Instituto Médico Legal e precisará dar uma "cheiradinha" embaixo do vestido da moça para atestar se essa história de gravidez é verdadeira ou não, e para só então, emitir o laudo.
O enredo vai prendendo o espectador no cenário de curiosidade e ansiedade em descobrir o desfecho desse espetáculo do inventário popular.
E para não deixar de fora desse cenário irreverente do teatro de comédia de Walden, contamos com a presença do prefeito da cidade, interpretado por Witoriojacsson, uma figura coronelística e ilustre que nos remete a um passado não tão distante, onde era possível observar prefeitos que eram verdadeiros coronéis nas cidades interioranas do nordeste brasileiro.
O prefeito por sua vez, demasiado e extravasado de demagogias, autoridade e mercenarismo, convence Mateus em ter sociedade no bode, mediante ameaça de prisão e acordos de propinas.
Lindalva, Altina(o), Santinha, Mateus, o Prefeito, a moça Maria do Socorro e o Bode, personagens estes que dão título ao texto teatral de Walden e que compõem esse divertido e curioso caso de uma "sem-vergonhice mal contada".
E o final dessa cômica narrativa é possível ser vista em qualquer das exibições da peça que o grupo Resistência de Teatro abre cartaz.
Bom espetáculo e boas risadas!!!